Miu em seu ateliê. Florianópolis 2024

“Miu - que também é artista plástica - tem como maior fonte inspiração, a natureza. A maior busca, ser amor. Suas obras partem do coração e fluem em formas orgânicas esculpidas a mão. Argila, areia e bronze são alguns dos ingredientes usados na criação do universo imaginário. Seu fazer reflete a perfeita "imperfeição" da natureza."


Pedro Caetano


por MIU,

As almas vêm à terra em busca de cura.

A minha inicia-se já na infância quando passava os verões na praia brincando o dia todo, entre a areia e o mar. Nascida em Minas Gerais, sou filha da terra, mas no percorrer da vida descobri que de alma sou também feita de areia. Meu primeiro encontro com a argila foi fluido e libertador; senti a completude, algo que me envolveu por inteiro. Anos depois, ainda carregando esse sentimento, concluí minha formação em Artes Plásticas na Universidade Estadual de Minas Gerais - Escola de Artes Guignard, no ano de 2000. O desejo de compartilhar esse envolvimento mágico com a arte me levou ao caminho da pedagogia Waldorf, onde me formei professora.

No percorrer da vida, após uma longa pausa, retornei à cerâmica escultórica no Colorado Mountain College, nos Estados Unidos. Esse reencontro me levou a buscar experiências artísticas em diferentes lugares do mundo, mas foi em Florianópolis/SC que criei raízes profundas e onde meus dois filhos nasceram.

Há dez anos, construí meu ateliê e um forno a lenha, o processo de queima sempre me fascinou, mesmo antes de conhecê-lo em sua multiplicidade. O fogo, com sua dança lenta e ardente, marca as peças em um ritual de paciência e entrega. Transformar barro em cerâmica é um ato eternizador, um rito de passagem tanto simbólico, quanto molecular da terra.

Já a prática escultórica nas praias, modelando a areia, me acompanha ao longo dos anos. Os momentos de criação, solitários e meditativos, são um diálogo com o tempo do fazer. As formas nascem no trabalho de um dia inteiro, sendo finalizadas com a subida da maré, quando o trabalho se completa com a água do mar invadindo todos os caminhos que minhas mãos cavaram. Nesse processo efêmero, no fim do dia a escultura se dissolve no mar, em um sentimento de impermanência e esperança.

No fazer artístico encontro a crença no amor, na beleza e na potência da natureza, fonte inesgotável de inspiração.